Blog posts

Você sabe o que é endometriose?

Você sabe o que é endometriose?

Dicas da Mama, Saúde

Eu tenho 39 anos e convivo com a endometriose há muito tempo. Fui diagnosticada com 23 anos, mas tenho certeza que é uma doença que me acompanha desde que menstruei. Sempre tive dores muito fortes, inicialmente durante a menstruação e, com o passar do tempo, as dores eram constantes.

Depois do diagnóstico, foram 18 cirurgias ao todo (é, consigo imaginar a cara de espanto de vocês) e, consequentemente a necessidade de fazer um tratamento de fertilização (que se tornaram 7) para que eu pudesse ter a minha Victoria (o nome da minha filha não poderia ser outro!).

É claro que existem graus diferentes da endometriose, portanto, se você desconfia que tenha, ou já foi diagnosticada, não se assuste! 

Hoje estou sem dor, graças a maravilhosa Dra. Rosa Maria Neme, do Centro de Endometriose São Paulo . Ela é minha médica (e se tornou minha amiga) há muitos anos. Pedi que ela falasse sobre endometriose para quem sabe, poder auxiliar alguém que esteja em busca de informações… Quem quiser se aprofundar um pouco mais no assunto pode acessar o Blog da Endy, através do próprio link acima. No blog você sempre encontra informações recentes sobre endometriose.

Acredito que nada aconteça por acaso, e quem sabe as informações “caiam no colo” de alguém que precise muito. Meu encontro com a Dra Rosa aconteceu justamente assim. Na época estava para casar, já com o diagnóstico e com dores que não acabavam nunca. Um belo dia estava voltando do meu consultório chorando de dor. Olhei para o lado e vi a placa do Centro de Endometriose, na Avenida República do Líbano. Ainda não estava inaugurado, mas peguei o contato mesmo assim. Agradeço a Deus até hoje!  Com certeza foi Ele que colocou a Dra Rosa em meu caminho…

Dra Rosa Maria Neme
 
Mitos e verdades sobre a endometriose

A ginecologista Dra. Rosa Maria Neme esclarece dúvidas sobre a doença

 Cólicas fortes, que pioram a cada mês, aumento do fluxo menstrual, dores abdominais e dor durante a relação sexual são alguns dos sintomas associados à endometriose – uma doença imprevisível e que ainda está sendo pesquisada pela Medicina, pois ainda não se sabe efetivamente qual é o principal fator que desencadeia o problema.  

 “Refluxo de sangue pelas tubas uterinas durante o período menstrual, alteração da imunidade do corpo da mulher e uma predisposição genética são alguns dos fatores que tentam explicar o aparecimento da doença, mas não são os únicos”, explica a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme(CRM-SP 87844), graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo. A alteração do fluxo menstrual pode ocorrer em cerca de 10% das mulheres com endometriose.

 Hoje no Brasil, cerca de 15% da população feminina, com idade entre 15 e 45 anos, sofre com a endometriose, uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial (que reveste o útero internamente) fora da cavidade uterina.

 Para elucidar os principais aspectos da doença, como se desenvolve, sintomas e tratamentos, Dr. Rosa Maria Neme, que se dedica a pesquisar sobre a doença, relacionou 11 mitos e verdades sobre a endometriose. Acompanhe!

1. Endometriose é uma doença causada apenas pelo excesso de menstruação.

Mito. Sabe-se que a endometriose é uma doença que depende do hormônio estrógeno para seu desenvolvimento. Este é o hormônio feminino mais importante produzido pelo ovário durante a vida reprodutiva da mulher. Além disso, ele também é produzido pelo tecido gorduroso (apesar de ser em sua forma menos ativa), o que favorece uma piora da doença. Predisposição genética, estilo de vida, queda do sistema imunológico e alterações no fluxo menstrual são fatores que predispõem ao aparecimento da doença. 

2. É uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas.

Mito. Esta é mais uma dúvida á respeito da endometriose. Nem sempre a quantidade de sintomas tem relação com a quantidade da doença, ou seja, há mulheres que tem endometriose avançada e são assintomáticas ou tem poucos sintomas e outras que podem ter endometriose inicial e apresentam sintomas exuberantes. Além disso, a doença pode apresentar alguns sintomas, que não são exclusivos da endometriose, ou seja, pode também ser algum outro problema ginecológico. Por isso, a mulher precisa ficar atenta para ir ao médico para um diagnóstico preciso. Os principais sintomas são: a cólica menstrual em graus variados, dificuldade para engravidar (presente em 30 a40% das mulheres), alterações intestinais durante a época da menstruação, dor para evacuar ou peso (intestino solto, por exemplo) ou dificuldades para evacuar, desconforto ou dor durante a relação sexual no fundo da vagina, além de dores contínuas na barriga. Por serem as dores abdominais sintomas corriqueiros, as mulheres costumam relacioná-las a simples cólicas menstruais, intestinais ou até mesmo à manifestação de gases. Em geral, essas mulheres podem apresentar quadros de ansiedade ou depressão, relacionados à intensidade dos sintomas.

3.A endometriose não tem cura.

Verdade. Apesar de não ter cura definitiva, a endometriose possui opções de tratamento. A escolha da terapêutica mais adequada dependerá da severidade dos sintomas e do grau da doença instalada.

4.A rotina da mulher moderna pode desencadear a doença.

Em partes. A endometriose também é conhecida como “doença da mulher moderna”, já que seu aparecimento sofre influência do padrão de vida feminino atual: a mulher tem menos filhos, engravida mais tarde, fatores que relacionados a um estímulo do estrógeno maior durante a vida destas mulheres e, principalmente, submetida constantemente a um maior nível de estresse, com isso ocorre alteração da imunidade.

5.A falta de tratamento da endometriose pode fazer com que a doença atinja outros órgãos.

Verdade. A endometriose é uma doença progressiva. A falta de tratamento vai causando processos de aderências e infiltração dos focos da doença em órgãos vizinhos, podendo atingir o intestino, os ovários, a bexiga, só para citar alguns exemplos. Além disso, pode causar infertilidade em casos avançados e quadros de dores crônicas, mesmo fora do período menstrual, que não melhoram com medicações analgésicas.

6.Endometriose de grau leve pode ser tratada com diferentes medicamentos hormonais.

Verdade. Em casos de grau leve de endometriose, pode-se fazer uso de diferentes medicamentos hormonais, a fim de bloquear o estímulo que ocorre sobre as lesões de endometriose, diminuir o processo inflamatório e, conseqüentemente os sintomas de dor. Alguns desses medicamentos, normalmente, não são indicados para as mulheres que desejam engravidar, pois, em geral, eles têm ação anticoncepcional.

7.A infertilidade causada pela endometriose é definitiva.

Mito. Na grande maioria das vezes, a infertilidade pode ser revertida com tratamentos específicos. Na pior hipótese, a mulher é submetida a um tratamento de fertilização in vitro, que tem apresentado altas taxas de sucesso, mesmo em mulheres com antecedente de endometriose.

8.Pode ocorrer da mulher estar com endometriose e engravidar.

Verdade. Somente 30 a 40% das mulheres com endometriose apresentam problemas para engravidar. Alguns estudos mostram que as mulheres podem ter uma chance de abortamento discretamente aumentada nos primeiros três meses de gestação. Quanto ao restante da gestação, não há nenhum risco.

9.A laparoscopia é indicada para tratar todos os tipos de endometriose.

Mito. Esta técnica é indicada nos casos onde os sintomas da endometriose são mais intensos, em casos mais avançados da doença ou ainda nos casos leves, quando não houve melhora dos sintomas com o tratamento medicamentoso. A cirurgia laparoscópica serve tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. No momento do procedimento, todos os focos de endometriose que são evidenciados são imediatamente retirados e cauterizados. Esta é a grande vantagem de um diagnóstico preditivo bem feito, pois se sabe exatamente o que será encontrado, com a possibilidade de se fazer uma boa programação antes da cirurgia. A laparoscopia é um procedimento que pode apresentar grande dificuldade técnica (dependendo do grau de endometriose) que requer profundo conhecimento da anatomia pélvica – que, muitas vezes, encontra-se bastante alterada pela intensa atividade inflamatória provocada pela doença.

10. A Cirurgia robótica é uma alternativa à laparoscopia convencional.

Verdade. Quando a endometriose está em fase mais avançada e já se instalou profundamente na região do intestino, por exemplo, bexiga – chamada endometriose profunda -, uma alternativa à cirurgia laparoscópica convencional é a Cirurgia Robótica. Esta tecnologia, também minimamente invasiva, tem uma atuação significativa em doenças ginecológicas benignas que, por vezes, comprometem a capacidade reprodutiva da mulher. Sua tecnologia permite uma visão mais precisa e detalhada da região a ser operada, garante melhor recuperação da paciente e um menor tempo de hospitalização. 

11. Uma paciente pode desenvolver novamente a endometriose, mesmo após o tratamento.

Verdade. A endometriose é uma doença que não tem cura e pode voltar. Por isso, é importante que a mulher que tenha a doença, vá ao seu ginecologista pelo menos uma vez a cada seis meses e sempre esteja em uso de alguma medicação hormonal para diminuir a chance da doença retornar.

 

Dra Rosa e a Victoria. O momento mais feliz da minha vida!
 
 

Perfil

 

Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) – É graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). É membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade de Ginecologia do Estado de São Paulo (FEBRASGO/ SOGESP) e membro da Associação Americana de Laparoscopia Ginecológica (AAGL). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein. Também é mãe de gêmeos lindos: o Pedro e o Arthur!
 

About the author

Giuliana Pierri, psicóloga clínica e mãe da Victoria. É extrovertida e fala até com as paredes. Sempre gostou de moda e, como mãe de menina, expandiu o seu interesse também por moda infantil. A maternidade me desacelerou um pouquinho (só um pouquinho!) e me proporcionou um pouco mais de paciência para aproveitar a vida ao lado da minha família.

10 Comentários

  1. Adriana
    13/02/2016 at 23:15
    Reply

    Informações super importantes para passar para s mamãe!!!!!

    • Giuliana Pierri
      15/02/2016 at 18:46

      Muito obrigada Adriana! Bom saber que estamos levando conteúdos importantes para as mamães!

  2. Chris Ferreira
    13/02/2016 at 23:03
    Reply

    Ótimo post. Eu sei o que é a endometriose porque duas amigas muito próximas tiveram e passaram por apertos por falta de informação. É muito bom ter posts assim esclarecedores.
    beijos
    Chris

    • Giuliana Pierri
      15/02/2016 at 18:47

      Muito obrigada Chris! É muito importante que as pessoas tenham acesso às informações, pois ainda a endometriose não é uma doença muito divulgada!

  3. Lele
    11/02/2016 at 23:59
    Reply

    Muito bom e esclarecedor o conteudo
    beijos
    Lele
    http://www.eueleeascriancas.com.br/

  4. Gabi Miranda
    11/02/2016 at 19:52
    Reply

    Eu fiz lapiroscopia, hoje trato tomando remédio, só parei para engravidar dos meus dois filhos. Mas agora vou conversar com meu médico, pois não quero ficar tomando remédio direto não…

    • Giuliana Pierri
      15/02/2016 at 18:48

      Gabi é muito importante sempre fazer o acompanhamento da endometriose! Boa sorte!

  5. Jaqueline Bernardo
    11/02/2016 at 16:00
    Reply

    Um texto bem completo e muito informativo!
    Muitas coisas eu desconhecia!
    Obrigada por partilhar com a gente!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *