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Thirteen Reasons Why: assistam!

Thirteen Reasons Why: assistam!

Comportamento, Dicas da Mama

Eu terminei de assistir “Thirteen Reasons Why”, a série da Netflix que está sendo super indicada e comentada por aí. Confesso que não foi fácil terminar, pois é daquelas séries que vão te deixando com um gosto amargo na boca e coração super apertado.

Eu amo séries e, nos últimos anos, tenho assistido cada vez menos canais abertos. Sou daquelas que assistem várias de uma vez e não achei que esta fosse me prender tanto. Ledo engano!

Sinopse: A produção da cantora Selena Gomez inspirada homônimo no livro de Jay Asher – expandido e transposto para as telas pelas mãos do premiado dramaturgo Brian Yorkey – narra as razões pelas quais uma colegial diz ter sido levada a tirar a própria vida. Gravadas em fitas cassetes e enviadas postumamente, as mensagens responsabilizam os colegas de convívio pelo desfecho trágico.

Quando eu soube que o tema principal era sobre bullying fiquei muito interessada… Comecei a assistir e achei que pelo fato de ser mãe de menina teria que refletir sobre o assunto. Só que ao longo dos episódios foi ficando muito claro que não só as mães de meninas precisam assistir. Sabem por quê?

Todo mundo que tem filho deveria assistir para refletir sobre as expectativas que despejamos em cima de nossos filhos e como isso pode influenciar a forma como as crianças passam a se relacionar com as pessoas de uma maneira geral. Ouvir o que as crianças têm a dizer desde cedo é uma das maneiras de iniciar uma conversa, mesmo com os pequenos. Perguntar como foi na escola, ou simplesmente deixar a criança falar o que quer contar e ouvir.

Quando eu falo que todo mundo deveria assistir preciso alertar que quem está se sentindo fragilizado emocionalmente, deprimido ou com algum distúrbio de ansiedade NÃO deve ver! O tema é muito pesado e algumas cenas chocantes podem piorar o seu quadro de saúde.

A minha intenção não é ficar dando spoilers aqui, pois sei que muita gente não assistiu, mas em determinado momento a Hanna Baker (personagem principal) diz: “não posso mais suportar perceber que não consigo ser o que os meus pais esperam que eu seja, não consigo ser nada além de problemas”. Foi um soco no meu estômago, pois quantas vezes esperamos algo de nossos filhos achando que é o melhor para eles, quando na verdade não estamos enxergando-os?

Minha filha tem apenas 4 anos de idade, mas acredito que os valores, princípios e crenças de vida devam ser passados desde muito cedo, pois a medida que a criança cresce é natural um afastamento dos pais (que aumenta na adolescência), ou seja, ou você começa a ensinar os valores para a criança agora, ou depois pode ser muito tarde. Mesmo o adolescente mais próximo da família não estará tão próximo quanto foi durante a sua infância.

Voltando à série: fica muito claro que todos os eventos que acontecem estão interligados e relacionados à dinâmicas familiares que estão falhas. Não estou falando aqui sobre a depressão e suicídio da personagem principal, pois a depressão é uma doença que pode e deve ser tratada por um psiquiatra, mas a escalada de violência que ocorre poderia ser evitada sim, se as famílias se posicionassem de outra maneira com os seus adolescentes.

Em relação a este assunto, muito se fala em como ajudar a criança que sofre bullying, mas identificar que o agressor está  dentro de casa e o que o motiva a seguir com esta prática é um assunto delicado e pouco comentado. Geralmente, os  responsáveis são chamados à escola para ter conhecimento, mas quando isso acontece, o bullying já teve algum resultado negativo e muitas das vezes, com gravidade.

Como educar para conseguir identificar esse comportamento da criança? O que fazer quando a escola exige providências para interromper o bullying?

Ao me ver, quanto mais os pais estreitarem os laços de amizades com os filhos, fortalecendo o vínculo de confiança, além de procurar orientação com os profissionais da área da saúde para ajuda-los a lidar com esta situação, menor o risco do bullying acontecer.

Por sua vez, as escolas devem manter o corpo docente inteirado do assunto para desenvolverem medidas que possam ajudar o aluno a interromper tal atitude. É válido optar por atividades e aulas interativas, palestras, campanhas, jogos e outras ações com foco no combate ao bullying. É de extrema importância que haja o acompanhamento com assistência social, psicológica e jurídica.

Você sabia que existe uma lei antibullying que completou 1 ano agora no Brasil? O posicionamento da escola é uma das questões previstas na lei do Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). A medida estabelece a
capacitação das equipes pedagógicas e do corpo docente para lidar com determinados problemas, tanto para atuar na prevenção quanto na solução. Este trabalho ainda envolve uma aproximação com os responsáveis para identificar os agressores e as vítimas.

 

 

About the author

Giuliana Pierri, psicóloga clínica e mãe da Victoria. É extrovertida e fala até com as paredes. Sempre gostou de moda e, como mãe de menina, expandiu o seu interesse também por moda infantil. A maternidade me desacelerou um pouquinho (só um pouquinho!) e me proporcionou um pouco mais de paciência para aproveitar a vida ao lado da minha família.

5 Comentários

  1. Chris Ferreira
    24/04/2017 at 00:52
    Reply

    Oi Giu, eu assisti a série toda em uma tacada só. Gostei, mas tem um ponto que me preocupa bastante nela. Vou ver se consigo fazer o meu post nesta semana ainda. Gostei bastante das suas colocações e precisamos sim reduzir a escalada de violências.
    beijos
    Chris

  2. JAQUELINE BERNARDO
    19/04/2017 at 21:46
    Reply

    Ouço bastante comentários positivos sobre esse tema!! Seu post foi bem colocado! Eu não assisti ainda e acho que nem irei pois não é meu estilo de série, mas confesso que fico um pouco curiosa! São temas que independente da série devem ser conversados por todos,todos os dias, sem que seja encarado como um tabu! É um tema muito sério!

  3. Ariane Baldassin
    19/04/2017 at 17:34
    Reply

    Sempre amei assistir series. Comecei com Lost, depois fui para Supernatural e Walking Dead e depois que as meninas nasceram só fiquei nos desenhos. Não ria de mim, mas não conhecia essa série.

  4. Talita Rodrigues Nunes
    18/04/2017 at 22:34
    Reply

    Suicídio não é exatamente um tema que me agrada, mas era tanta gente falando nessa série que resolvi assistir o primeiro capítulo. Depois disso não consegui mais parar! Os temas são complexos, mas merecem reflexão!

  5. Claudia
    18/04/2017 at 21:23
    Reply

    Muito bom seu post, Giu!
    Eu também me interesso muito sobre este tema. Não tenho o costume de assistir muitas séries, mas esta quero ver.
    Pelo que entendi é bem diferente do livro. Li o livro logo que foi lançado, em 2014 e confesso que achei o livro chato e a protagonista bem egocêntrica. Acredito que a série tenha dado outro viés ao tema.
    Dica anotada
    Bjs

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