Blog posts

Seu filho fala como o Cebolinha? Quando procurar ajuda da fonoaudióloga?

Seu filho fala como o Cebolinha? Quando procurar ajuda da fonoaudióloga?

Comportamento, Saúde

Hoje nosso post é com a colaboração da fonoaudióloga Pricila Pessoa. Ela compartilha com a gente um dos assunto mais tratados por ela no consultório: A troca dos fonemas, principalmente o R pelo L.

Uma dúvida muito frequente dos pais é com que idade procurar atendimento fonoaudiológico quando a criança troca um som pelo outro na fala, como o personagem Cebolinha da Tuma da Mônica que troca o R pelo L por exemplo.Podemos dizer que para a maioria das crianças, a idade média com que começam a falar é a de 18 meses de idade. Algumas começam a falar antes, por volta de um ano, outras demoram um pouco mais, por volta dos dois anos.

Dentro de cada fase é esperado que a criança já fale alguns fonemas.

Até os 3 anos :

/p/ como em pato;
/b/ como em bola;
/t/ como em tatu;
/d/ como em dado;
/k/ como em casa, queijo;
/g/ como em gato, gol;
/m/ como em macaco;
/n/ como em nada;
/nh/ como em ninho;
/f/ como em feliz;
/v/ como em vaca;
/s/ como em sapo, céu;
/z/ como em zebra, casa.

Até os 3 anos e meio:
/l/ como em lua;

/ch/ como em xícara, chuva;
/j/ como em janela, gelo;

Até os 4 anos:

/l/ como em lua;

/lh/ como em palha;
{S} como em escola;

{R} como em porta;

/R/ como em rato, carro

Até os 4 anos e meio:

/r/ como em arara;

grupos /r/ e /l/ como em prato e blusa.

Até os 5 anos:
Desenvolvimento completo

As trocas e omissões de sons fazem parte do processo de aquisição da fala e são esperadas até por volta dos 4 anos, quando a criança já está apta a produzir todos os sons, incluindo os mais complexos como os encontros consonantais que são por exemplo: “poRta” e “paSta”.

O fonema /r/, como na palavra “coruja”, é o último fonema adquirido pela criança, é um dos sons mais difíceis de serem aprendidos, ele fica ainda mais difícil na produção do que chamamos de grupos consonantais: pra, bra, tra, etc. Portanto, palavras como “farofa” podem virar “faiofa” ou “falofa” assim como “prato” pode ser pronunciado como “pato”.

Como os sons são aprendidos gradativamente, é preciso passar por avaliação fonoaudiológica para saber se a dificuldade é ou não esperada para aquela faixa etária.

As causas podem ser decorrentes de natureza neurológica, ou seja, áreas motoras do sistema nervoso podem estar lesadas, dificultando a geração e transmissão de impulsos nervosos, acarretando prejuízos na movimentação da musculatura responsável pela produção dos sons da fala. Dificuldades deste tipo são comuns em crianças com lesões motoras, como na paralisia cerebral por exemplo. Podem ser também de natureza músculo – esquelética, ou seja, nestes casos a fala estará prejudicada por alterações nos órgãos responsáveis pela produção da fala, como é o caso da musculatura da face, da língua, do palato e ou demais estruturas envolvidas. Podemos citar como exemplo, os problemas decorrentes das fissuras labiais e palatais. E por fim devido a alterações sem uma causa orgânica, que damos o nome de desvios fonológicos, porque embora a criança tenha integridade neurológica e as estruturas envolvidas na fala adequadas, existe uma dificuldade específica para dizer determinados fonemas. Na maioria das vezes, são esses tipos de problemas que chegam ao consultório fonoaudiológico.

O ambiente familiar pode influenciar em alguns problemas de fala. Se a criança é tratada como um bebê provavelmente ela vai se comportar como um bebê e portanto falar como um bebê, ou seja, vai falar errado. Sendo assim, os pais devem sempre oferecer o modelo correto de fala, as crianças se espelham nos pais não só em suas atitudes, mas na sua fala também. Por outro lado, temos que tomar cuidado para não exigir demais da criança, com que ela produza sons dos quais ainda não é capaz. Este tipo de exigência ou de expectativa, a qual a criança não tem como responder, pode torná-la insegura em relação à sua fala, o que pode agravar ou dificultar ainda mais a aprendizagem dos sons. Pior ainda, a criança pode criar, de si mesma, uma imagem negativa de falante e passar a evitar situações de comunicação, a fim de não expor suas “dificuldades”.

Uma outra pergunta comum no consultório é “posso corrigir a criança quando ela falar errado? Pode sim, porém nunca dizendo que ela está falando errado e forçar a criança a repetir a palavra, mas dar o modelo correto, por exemplo, a criança pede um prato e diz “pato”. Você deve dizer:” você quer um prato?? Vou pegar o prato pra você. Você quer o prato grande ou pequeno? Etc.. “. Essa é uma forma eficiente e natural de ajudar uma criança que apesenta trocas e/ou omissões fonêmicas na fala, além de dar o reforço da palavra de maneira correta, repetindo-a várias vezes, chamando a atenção da criança para o som que ela ainda não consegue dizer.

Caso seu filho esteja em acompanhamento fonoaudiológico não esqueça de seguir as orientações dadas peloprofissional e realizar os exercícios propostos diariamente. A participação da família é essencial para o sucesso do atendimento.

E lembre-se na dúvida sempre procure um especialista, tratando-se de fala o fonoaudiólogo é o profissional capacitado para isso.

Até a próxima!

About the author

Ana Claudia Cukier, jornalista, tímida, madrinha de duas meninas lindas e doces e mãe do Guilherme. Hoje me realizo nas funções de mãe e blogueira e tenho certeza que a maternidade me deu paciência, uma virtude que eu não tinha e que hoje não consigo me imaginar sem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *