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Educação sexual: como lidar com a puberdade das meninas?

Educação sexual: como lidar com a puberdade das meninas?

Comportamento, Saúde

Como mãe de menina me pego pensando inúmeras vezes como será a entrada dela na adolescência… A cada dia mais os adolescentes iniciam a vida sexual mais cedo e confesso que isso é algo que me deixa extremamente preocupada, pois envolve uma série de fatores que vão muito além do ato em si.

Outro dia estava conversando com um grupo de mães amigas (todas mães de meninas) e percebi que a preocupação é geral… Todas querem que as filhas tenham acesso à educação sexual para que possam se prevenir contra doenças e não engravidem antes da hora.

Por isso, quando chegou essa sugestão de pauta para o blog eu não pensei duas vezes em publicar, pois sei que falamos muito sobre o período da infância, mas também é nossa obrigação levar informação para os pais de adolescentes e também para aqueles (que como eu), já querem começar a se preparar para a educação sexual das meninas. Não dá pra simplesmente jogar a responsabilidade nas escolas e achar que está tudo certo, a responsabilidade da educação sexual tem que ser sim dos pais!

A adolescência e a puberdade são etapas do desenvolvimento das garotas entre a infância e a idade adulta que estão associadas, mas não são a mesma coisa, explica a médica ginecologista, obstetra e professora, Dra. Sylvia Maria Oliveira da Cunha Cavalcanti, que apoia o movimento nacional “A vida é feita de escolhas”, que tem como objetivo levar informações de qualidade sobre educação sexual, prevenção da gravidez e planejamento familiar a mulheres e homens em todo o Brasil, principalmente adolescentes. Ela é membro do Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); Mestre em Saúde Materno Infantil; e Especialista em Ginecologia da criança e da adolescente pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Dra. Sylvia esclarece que podemos dividir, de forma didática, a adolescência em três fases: 1ª) dos 10-14 anos, quando ocorre a puberdade, as transformações psíquicas e físicas no organismo feminino, a produção dos hormônios sexuais e o despertar da sexualidade, um período que dura, aproximadamente de 2 a 3 anos até as mudanças físicas se completarem; 2ª) dos 14 aos 18 anos, na qual predominam as mudanças psíquicas, com as tensões geradas pela “rebeldia”, além dos questionamentos, das dúvidas e inquietações típicas desta etapa; 3ª) começa, geralmente, a partir dos 18 anos na qual a adolescente tem que aprender a lidar com as responsabilidades, com a escolha de qual carreira seguir, encarar o mercado de trabalho, as opções sexuais e suas consequências etc.

“A fase da adolescência dura em torno de 10 anos e é marcada por transformações biopsicossociais. Quase tudo se modifica: o corpo, a parte emocional, o sistema nervoso e, inclusive, as relações com as pessoas com as quais a garota convive. A puberdade é um processo que faz parte da adolescência e diz respeito às mudanças biológicas”, ressalta a médica.

Quais as principais mudanças no corpo da menina?

Mudanças da Puberdade

Na puberdade ocorre o desenvolvimento físico do corpo, tornando a menina capacitada biologicamente para gerar filhos. O marco principal da puberdade para as mulheres é o início da menstruação. “O processo de crescimento e desenvolvimento ocorre em diversas áreas do organismo e as mudanças marcantes se relacionam à maturação sexual e aos aumentos de altura e de peso. Geralmente, a partir dos dez anos a menina cresce vários centímetros em pouco tempo, sua cintura se afina, os quadris se alargam, os seios começam a ganhar volume, surge uma leve pilosidade no púbis e nas axilas, ocorre o depósito de gordura em locais caracteristicamente femininos, entre outras alterações. Ou seja, o corpo feminino passa a exibir novas formas”, informa a Dra. Sylvia.

A ginecologista alerta que são fases caracterizadas pela ansiedade, insegurança e necessidade de autoafirmação. “Começamos por mudanças que afetam a autoestima e a imagem corporal. Depois, vem o trauma da ruptura do “cordão umbilical psíquico”. Este é o momento de maior dificuldade com as figuras de autoridade, como pais, professores, médicos, mentores religiosos, entre outros. A terceira fase caracteriza-se pelo temor com o futuro e as incertezas com o amanhã”.

Como lidar com as mudanças?

Como ajudar a adolescente a lidar com essas mudanças, temores e desejos? “É fundamental ouvir com carinho e atenção, jamais demonstrar menosprezo por suas preocupações, mesmo que pareçam infantis, além de observar seu comportamento, suas amizades. O discurso moralista quase sempre deixa a adolescente contrariada e com atitudes agressivas. Por seu lado, o diálogo afetuoso é capaz de orientar, estimular mais segurança e promover a conscientização”, finaliza Dra. Sylvia.

Toda garota deve receber orientações sobre as mudanças no corpo, o início da vida sexual e as doenças sexualmente transmissíveis, a prevenção da gravidez, a consulta ao ginecologista e a escolha de um método anticoncepcional, entre outros temas relevantes. Mais informações no site www.avidaefeitadeescolhas.com.br, no Facebook (@vidafeitadeescolhas) ou no Instagram (@avidaefeitadeescolhas_viva).

Sobre o Movimento A Vida é Feita de Escolhas
Consenso entre os principais estudos brasileiros e internacionais sobre o assunto, a orientação é sempre um caminho essencial para a prevenção da gravidez na adolescência, um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Por isso, o Movimento A Vida é Feita de Escolhas tem como objetivo realizar um trabalho de conscientização para estimular discussões, o engajamento e a mobilização. A ideia central é trabalhar para que a gravidez na adolescência seja fruto de uma escolha e não um “acidente”. As informações sobre comportamento, saúde e educação sexual terão o respaldo de especialistas, como ginecologistas, sexólogos e educadores. O movimento conta com site (www.avidaefeitadeescolhas.com.br), uma página no Facebook (@vidafeitadeescolhas), perfil no Instagram (@avidaefeitadeescolhas_viva), material educativo distribuído em consultórios de ginecologia e palestras em escolas.

About the author

Giuliana Pierri, psicóloga clínica e mãe da Victoria. É extrovertida e fala até com as paredes. Sempre gostou de moda e, como mãe de menina, expandiu o seu interesse também por moda infantil. A maternidade me desacelerou um pouquinho (só um pouquinho!) e me proporcionou um pouco mais de paciência para aproveitar a vida ao lado da minha família.

3 Comentários

  1. Michele Gobbato
    13/10/2017 at 22:20
    Reply

    Um ótimo post, adorei a forma que foi explicado cada fase

    Bjs Mi Gobbato

  2. Talita Rodrigues Nunes
    11/10/2017 at 00:43
    Reply

    Quanta informação bacana! Preciso muito de ajuda com esse assunto!

  3. Regina Dias
    10/10/2017 at 20:33
    Reply

    Este assunto muuuuito me interessa, pois sou mãe de duas meninas e uma está com 10 anos e já entrou na fase das mudanças … Adorei o post!

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